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Perhaps não são ervilhas!

Se tudo na vida fosse perfeito não havia talvez. E perhaps eram ervilhas...

Não tenho nada contra quem é anti praxe, mas...

por António, em 06.10.14

...aparentemente eles tem tudo contra mim, que fui praxista!

Luís Pedro Nunes protagonizou, a meu ver, uma das mais lamentáveis intervenções contra a praxe. Concordo que as praxes que gozaram com o Meco foram de mau gosto, desnecessárias e totalmente reprováveis. Mas isso não dá o direito a ninguém de chamar a praxistas e praxados "grunhos", "imbecis" e "merdas" e dizer que os alunos que compactuam com as praxes deviam ser expulsos das universidades! 

O mais interessante no meio disto tudo, e não estou a desculpar qualquer praxe, é a falta de moral que é preciso ter para se dizer isto num programa - o eixo do mal - que tece comentários sarcásticos e piadas sobre a actualidade!

Cada um é livre de dar a sua opinião sobre a praxe, cada um é livre de integrar ou não a praxe. O mais curioso é que sempre vi anti praxe nos recintos das latadas e queimas, sabendo-se perfeitamente que as actividades académicas são um produto da praxe! 

Sejamos sinceros, nunca vi praxistas incomodar-se tanto com pessoas anti praxe, como vejo anti praxe incomodar-se tanto com pessoas praxistas! 

 

4 comentários

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    De António a 10.10.2014 às 15:09

    Tenho algumas discórdias no seu comentário!
    Primeiro, as actividades académicas às quais me refiro são, sim, produto da praxe. A latada, a imposição de insígnias a própria queima das fitas marcam datas e momentos referentes à praxe!
    Segundo a praxe, na sua génese, não começou nos anos 80, há relatos em Coimbra de praxe anterior a 1950, se os outros lados só a adoptaram nos anos 80 é outra coisa.
    Terceiro, vá a Coimbra e enfrente grande parte dos catedráticos de lá e chame-lhes meninos do regime e fascistas. Mas não se esqueça de visitar, com eles, a parede onde os estudantes de Coimbra estiveram alinhados e há buracos de balas à altura das cabeças! Ou então visite o museu da Universidade e procure pela primeira Taça de Portugal (Académica-Benfica) que verá ao lado uma fotografia onde os jogadores da capital saúdam o regime com a saudação Nazi e os de Coimbra estão de capa traçada, encontre aí os meninos do regime! Procure também pelo dia 17 de Abril de 1969 em que os estudantes de Coimbra pedem ao presidente da república, Américo Tomás, a palavra e este recusa e termina a cerimónia! Procure pelas greves estudantis em Coimbra, pelos registos de estudantes presos e espancados; procure pelos estudantes que fizeram greve aos exames em frente à PIDE ou ainda pelos estudantes que lhe eram recusados exames porque os pais eram opositores do regime!
    Por fim deixe-me dizer-lhe que acabei uma licenciatura, acabei um mestrado e não precisei de mais anos do que os do curso. Pretendo continuar a fazer pós graduação e doutoramento, praxei, e fui praxado, e está a acusar-me de andar lá a não fazer nada?!
    Olhe que já lá vi muita gente que não vai à praxe a fazer licenciaturas de 3 anos em 10!
    Não acuse a praxe da incompetência das pessoas!
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    De José a 11.10.2014 às 08:49

    Não discuto que as insignificantes atividades académicas que se conhece agora sejam produto da praxe. Digo que há outras que se perderam (há anos que não vejo tertúlias organizadas por alunos no sítio onde trabalho e estudei).
    Se tivesse lido o que escrevi teria reparado que escrevi, "menos em Coimbra".
    Meu caro, já fui e já o fiz. E eles são, numa boa parte. Se houve realmente muitos estudantes que se opuseram ao regime (que houve bastantes, sou amigo de alguns deles), houve muitos outros que os denunciavam, que ajudavam a DGS e a GNR e que não ligaram sequer à greve dos exames em 69. Percebe a diferença? É que isso de que fala, mais visível em Coimbra (por ser mais conhecido), também aconteceu em Lisboa (onde, veja lá, também morreram pessoas e houve gorilas e pastores alemães dentro da universidade). Ah, e mais uma coisinha, veja onde estão agora essas pessoas, mais em Lisboa ou mais em Coimbra? A única instituição reacionária em Lisboa (ainda hoje o é), era a Faculdade de Direito.
    E olhe, vá ver o hino oficial do Benfica ("Avante Benfica", compare com a "Internacional") e depois venha falar, pode ser?
    Eu disse-lhe que não andava a fazer nada? Disse que hoje nas universidades não se muda o país. Vocês estão limitados a um regime de escolinha secundária, quanto menos pensarem melhor e o pior é que aceitam isto como se fosse inevitável. Não é. Mas não somos nós, os professores, que vamos fazer outra revolta estudantil, são vocês. Por isso sim, enquanto estão a fazer integrações à la legião romana, esquecem-se de lutar por um ensino realmente universitário, esquecem-se de debater ideias, limitam-se a andar bem vestidos e tirar boas notas (que, diga-se de passagem, é agora tão fácil em muitas instituições públicas como nas privadas, é uma pena).
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    De Joana Pires a 11.10.2014 às 11:37

    O senhor anda em alguma universidade? Desculpe-me mas se frequenta algum ciclo de estudos universitário, não sabe do que fala. Se não frequenta, tenho a dizer-lhe que se percebe! Definitivamente não tem conhecimento dos esforços levados a cabo por muitos alunos para um ensino universitário cada vez melhor. Digo-lhe: não tem! Porque se tivesse, sabia que isso é uma realidade cada vez mais significativa. Repito, sei do que estou a falar e sei que não estou a falar de um caso particular. Tente informar-se dessas situações, por favor. Não é só porque um jornal português (por mais elitista que seja) diz que os jovens não se impõem, que as pessoas devem acreditar. Os jovens têm procurado muitas alternativas, são empreendedores e sabem criar oportunidades de discussão/debate de diversas iniciativas dentro das universidades. Agora, que ninguém queira dar atenção à existência dessas actividades, não é novidade nenhuma. Nada como pedir informações, como conhecer diversas realidades para falar. E isso faltou neste comentário, porque não pode esperar que fale apenas do que se passava no seu tempo e do que acha que se passa agora e esperar que toda a gente acredite nas suas palavras.
    Obrigada. E tenha um bom fim-de-semana.
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